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47 ORGANIZAÇÕES INTEGRANTES DO SOS NL

Associações de bairros e condomínios

  1. ALPHAVILLE  - LAGOA DOS INGLESES
  2. ARVOREDO
  3. BELA VISTA
  4. BOSQUE DO JAMBREIRO
  5. BOSQUE DA RIBEIRA
  6. CABECEIRAS
  7. CHÁCARA DOS CRISTAIS
  8. CHÁCARA BOM RETIRO
  9. IPÊ
  10. IPÊ DA SERRA
  11. JARDIM DAS AMÉRICAS – BNH
  12. JARDINS DE PETRÓPOLIS
  13. JARDIM SERRANO
  14. JOSÉ DE ALMEIDA
  15. LE COTTAGE
  16. MORRO DO CHAPÉU
  17. OURO VELHO
  18. PASÁRGADA
  19. QUINTAS DO SOL
  20. RESIDENCIAL SUL
  21. RETIRO - OLARIA
  22. VALE DAS ARARAS
  23. VALE DOS CRISTAIS - NASCENTES
  24. VALE DO SERENO
  25. VALE DO SOL
  26. VEREDAS DAS GERAIS
  27. VILLAGE TERRASSE
  28. VILLE DE MONTAIGNE

Entidades e Ongs

  1. ACH
  2. AMAVISE - Ass. dos Moradores e Amigos dos bairros Vila da Serra, Vale do Sereno e Adjacências
  3. AMDA
  4. AMA/NL
  5. ARCA AMA SERRA
  6. ASCAP
  7. CASA CIDADANIA & DIVERSIDADE
  8. CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO/NL
  9. ECOJAMBREIRO
  10. FRENTE DO VETOR SUL
  11. IAB/MG
  12. MNLM
  13. OAB NL (CMA/NL)
  14. POLEN - COLÉGIO RUDOLF STEINER - MG
  15. PRANA/NL
  16. PRIMO - PRIMATAS DA MONTANHA
  17. PROMUTUCA
  18. SINDICATO DOS SERVIDORES MUNICIPAIS DE NOVA LIMA
  19. SUBCOMITÊ DE BACIA HIDROGRÁFICA (Cardoso Cristais - Macacos- Rio do Peixe)

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Vistas do Vale

Acompanhe o andamento da  ação civil pública pelo TJMG

Eventos Realizados

DIA DO MEIO AMBIENTE - 05/06/2016

CAMINHADA E ABRAÇO NO VALE DO MUTUCA - 18/05/2014

3 ANOS DE LUTAS E CONQUISTAS- 08/12/2013

SEMINÁRIO - MILTON CAMPOS - 10/09/2013

Audiência Vale dos Cristais - 04/10/2012

DEBATE ELEIÇÃO/NOVA LIMA - 19/09/2012

CARREATA - 05/11/2011

SEMINÁRIO - 30/04/2011

AUDIÊNCIA PÚBLICA  "VISTAS DO VALE" -  22/02/2011

PASSEATA - 08/12/2010
O Futuro de Nova Lima

 

A cidade premiada

Nova Lima é, ainda, uma das melhores cidades do Brasil para se viver. Atualmente com quase 80.00 habitantes, a cidade é dotada de uma riqueza natural e paisagística excepcional, contando com grandes áreas remanescentes de mata atlântica e um igualmente grande manancial aqüífero, que abastece boa parte da vizinha Belo Horizonte. Com uma área maior que a de Belo Horizonte, Nova Lima, abriga 11 unidades de preservação ambiental, mais de 800 nascentes, e alguns lagos. Em 2009, foi considerada a segunda melhor cidade de Minas para se morar, segundo o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal, criado pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Em 2010, obteve o melhor desempenho medido através do Índice Mineiro de Responsabilidade Social (IMRS), criado pela Fundação João Pinheiro, destacando-se entre as diversas áreas, como a 3ª melhor no quesito “Meio Ambiente”.

Separada de Belo Horizonte pela Serra do Curral, mas de acesso rápido pela saída sul da cidade, Nova Lima tornou-se um reduto de moradia tranqüila para cidadãos que trabalham na capital, com vários condomínios ao longo das rodovias BR-040 e MG-30. Essas urbanizações, ainda que pontualmente apresentassem alguns problemas, vinham conseguindo manter um nível satisfatório de sustentabilidade na ocupação territorial da cidade, em função de parcelamentos não muito especulativos, e da ação organizada de seus cidadãos na vigilância do meio ambiente, por meio de associações de bairros e entidades ambientalistas.

 

Nova Lima sob pressão imobiliária

Entretanto, nos últimos anos, Nova Lima tem sido objeto de um vertiginoso processo de crescimento, decorrente, sobretudo da expansão de Belo Horizonte em direção a ela. Às margens das rodovias MG-30 e BR-040, cresceram o número de bairros residenciais horizontalizados. Os empreendimentos do Vale dos Cristais e do Alphaville, em especial, lançados com muita publicidade, consolidaram o vetor sul como o novo rumo da expansão habitacional de Belo Horizonte. E no rastro da hiperadensada ocupação do Belvedere III, o bairro vizinho Vila da Serra foi implantado com os mesmos parâmetros de ocupação. O skyline de altos prédios, que havia desfigurado um lado da Serra do Curral, surgiu também do outro lado da Serra, congestionando o cenário e o trânsito. E agora, vemos como novos empreendimentos estão sendo construídos ou planejados para ocupar as margens das rodovias e o entorno da Lagoa dos Ingleses, em um grau de verticalização e adensamento digno das áreas mais verticalizadas de São Paulo. A situação vem alarmando a população de Nova Lima, que assiste a uma rápida deterioração da qualidade de vida da cidade.

Alguns empreendimentos se destacam nessa escalada de verticalização: o Bora-Bora, na Lagoa dos Ingleses, com torres de 16 pavimentos; o Vistas do Vale, próxima etapa de expansão do Vale dos Cristais, com 6 torres de 25 pavimentos, com 516 unidades habitacionais; e o restante do Vale do Sereno, uma caixa-preta de não-se-sabe quantas torres. E, o pior, as próximas etapas de expansão do Vale dos Cristais, um negócio das grandes empresas AngloGold Ashanti e Construtora Norberto Odebrecht, prevêem a construção de mais de 40 torres, com cerca de 5.000 unidades habitacionais. Mesmo sem uma licença prévia para iniciar as obras, a construtora já vem fazendo grande publicidade do empreendimento, que está sendo anunciado em diversos veículos de comunicação da capital mineira. Estes anúncios trazem, inclusive, informações erradas com relação à preservação da área, passando uma falsa noção aos clientes em potencial da responsabilidade que os empreendedores têm com o meio ambiente.

 

Os impactos negativos da pressão imobiliária

Não é difícil imaginar o grande impacto ambiental que essa avalanche de empreendimentos irá acarretar à população de Nova Lima, em nível de destruição ambiental, mobilidade, segurança, entre outras

O adensamento e a verticalização desmesurada, em especial nesse cenário de beleza e riqueza natural ímpares como o de Nova Lima, é uma das maiores insanidades urbanísticas e ambientais já vistas. A verticalização, desnecessária para a cidade, destrói a belíssima paisagem natural; a densidade populacional não viabiliza um esgotamento sanitário sem comprometimento dos cursos d’água; o trânsito, que já está caótico com atuação ocupação, se tornará simplesmente inviável. O cenário que se avizinha é aterrador: a crista de morro onde se assenta a MG-30 transformada numa Av. Raja Gabaglia permanentemente congestionada, os rios poluídos, a paisagem desfigurada. Enfim, a qualidade de vida que caracterizava Nova Lima irá desabar caso se continue esse processo.

E o impacto negativo desse processo não se restringe à cidade de Nova Lima, afetando diretamente também Belo Horizonte. Nenhum desses empreendimentos prevê uma contrapartida para a solução viária de ligação entre as cidades, e a Av. Nossa Senhora do Carmo já está à beira do colapso. E o manancial hídrico de Nova Lima, que abastece o Rio das Velhas, é um dos principais provedores de água para capital.

 

O poder público facilita os empreendimentos

E porque isso está acontecendo? Por um lado, os empreendimentos imobiliários tem sido aprovados e licenciados de maneira no mínimo questionável, para não dizer irregular, pois parecem ferir em vários aspectos as legislações urbanas e ambientais. Seus encaminhamentos têm sido facilitados pelo Poder Público, que altera a legislação sem participar a comunidade, libera para esses empreendimentos áreas dentro da APA Sul, áreas consideradas de utilidade pública, áreas prioritárias para preservação, topos de morro em Área de Preservação Permanente (APP), emite liberações ambientais sem poder para tal, e libera licenciamentos sem as obrigatórias audiências públicas. Além disso, endossa de maneira irrestrita os relatórios de impacto ambientais contratados pelas empreiteiras. Para que se tenha uma idéia, a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Nova Lima chega a declarar oficialmente que um empreendimento como Vistas do Vale, com 6 torres de 25 pavimentos, a beira da rodovia, em topo de morro, não causa impacto visual. Também a nível estadual, esses empreendimentos têm sido aprovados sem maiores questionamentos, mesmo com fortes indícios de irregularidade. Várias dessas aparentes irregularidades têm sido encaminhadas pelas entidades ambientalistas do município a região à Promotoria Estadual, que está avaliando a situação desses empreendimentos

 

O Plano Diretor permite o desastre

Entretanto, mesmo que os empreendimentos apresentem falhas em seu processo de licenciamento, e que possam vir a ser revertidos em alguns casos, o processo de adensamento e verticalização nos atuais índices ocorre com o respaldo da legislação urbanística vigente da cidade, o Plano Diretor de Nova Lima. E essa é a principal chave na determinação do futuro da ocupação da cidade. O atual Plano é altamente permissivo, tanto no zoneamento das áreas quanto nos parâmetros de uso e ocupação do solo. Por exemplo, o plano mapea varias grandes áreas da cidade – como a enorme gleba do empreendimento do Vale dos Cristais, situada à beira da rodovia MG-30, em terreno situado em crista de morro – como uma zona sem limite de verticalização, com um alto Coeficiente de Aproveitamento (índice que determina o potencial construtivo), num padrão de adensamento similar ao da Zona Central de Belo Horizonte. Também a Taxa de Ocupação (área máxima de ocupação do terreno) e a Taxa de Permeabilidade (área permeável do solo) são pouco condescendentes para com a natureza das áreas em questão. Outro exemplo de inadequação da lei reside na permissão de construção de edifícios comerciais de 3 pavimentos no interior bairros horizontalizados já consolidados. Enfim, o Plano Diretor de Nova Lima libera, para uma cidade de características ambientais privilegiadas, tudo aquilo que temos de pior nas metrópoles. Incorpora para uma área de características rurais os parâmetros que caracterizam o vizinho Belvedere III, de maneira absolutamente inconseqüente. Trata-se de uma agressão ao meio ambiente e a toda a população, não apenas da cidade de Nova Lima, mas também de Belo Horizonte. Trata-se de um Plano leviano, irresponsável, criminoso. Curiosamente, só recentemente, após denúncias, o Plano Diretor ficou facilmente acessível no site da Prefeitura. Ainda assim, o mapa com o zoneamento é disponibilizado apenas em baixa resolução, dificultando (intencionalmente?) a identificação das áreas mapeadas.

 

A urgência da revisão do Plano Diretor

E é esse Plano Diretor de Nova Lima que está agora em processo de revisão. E, o pior, sob pressão das grandes incorporadoras para liberar mais áreas com os absurdos parâmetros de uso e ocupação que já incidem indevidamente em boa parte do zoneamento da cidade. O Plano tem que ser revisto no sentido de frear a onda predatória atualmente liberada para os agentes imobiliários. Não se trata de impedir o crescimento da cidade, mas sim de promover um crescimento ordenado e sustentável, com uma ocupação territorial que respeite a população e o meio ambiente, que avalie o impacto ambiental que geram, levando em consideração as várias variáveis que incidem nesse processo, como o trânsito, a proteção das matas e cursos d água, o cuidado com a paisagem. Enfim, uma ocupação sensata. Vários bairros e empreendimentos imobiliários da cidade, tanto antigos como novos, nos mostram como é possível se estabelecer um processo de urbanização sustentável, sem prejuízos ao meio ambiente e a paisagem, e em alguns casos até com sua melhoria. A verticalização e o adensamento excessivos só são do interesse de empreendedores, e de eventuais políticos e funcionários públicos corruptos que venham a se beneficiar ilicitamente com a liberação de processos e legislações tão permissivas. Não há, nessa loucura especulativa, nenhum benefício para a cidade e para seus habitantes.

 

A salvação: mobilização da sociedade civil

Vivemos um momento crucial na história de Nova Lima. Essa é a oportunidade de reverter a gritante insanidade do atual Plano. Ou de se permitir que a situação seja dominada de vez pela ganância predatória dos empreendedores imobiliários. Para que tenhamos um bom final nessa história, se faz necessária a mobilização maciça da comunidade civil, da imprensa, das promotorias públicas. E quanto à Prefeitura, se não por parte de quem elabora as leis ao menos de quem as aprova (ou reprova), que se sensibilizem e ajam com responsabilidade e respeito para com a população, para com o meio ambiente, para com o legado ético, urbanístico e ambiental que deixarão para seus filhos.

O futuro de Nova Lima está nas mãos de todos nós.